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Polineuropatias

A dor neuropática originada no sistema nervoso periférico é reconhecida, frequentemente, por sua distribuição distal, tendo, associados, outros sintomas sensitivos, tais como dormências, parestesias e podendo somar-se alterações motoras e autônomas. (Dor Neuropática -FISIOPATOLOGIA, CLÍNICA E TERAPEUTICA; Ed. Evidence; Cap:8; Pág:159-170)

Quando essas alterações se apresentam nas extremidades dos membros, de modo habitualmente simétrico e simultâneo, as denominamos de polineuropatias.

Aspecto importante a ser considerado nas polineuropatias dolorosas, muitas vezes dificultando o diagnostico etiológico, é que varias delas têm semelhantes apresentações clinicas quanto a dor neuropática . Há também , grande variabilidade dos sintomas referidos , na dependência direta do conteúdo emocional experimentado pelo paciente.

As polineuropatias do tipo desmielizantes, a dor neuropática não é tão frequentemente observada, como nas polineuropatias axonais. Nas polineuropatias com rápido desenvolvimento de degeneração axonal, como por exemplo, nas neuropatias angiopáticas (vasculite, diabetes) e nas toxicas (arsênico, vincristina etc) a dor neuropática é queixa frequente. Na tabela 1 as principais causas de polineuropatias dolorosas.



A dor neuropática, descrita como em queimação, em pontada ou dor disestésicas, sendo uma experiência sensitiva muito desagradável para o paciente. Pode ser observada em pacientes com exame neurológico anormal, porem , com relativa frequência, ocorre na ausência de qualquer anormalidade ao exame físico.

Sintomas motores podem estar presentes, no entanto, os mais comuns são os sensitivos , envolvendo variadas alterações da sensibilidade. Estas incluem: hipoestesia/anestesia (dormência ou ausência de sensibilidade); parestesias (sensações anormais não dolorosas, tais como dormência ou formigamento; disestesias (sensações desagradáveis, dolorosas, tais como queimação , formigamento ou sensações de choque elétrico); hiperalgesia ( aumentada percepção do estimulo doloroso); hiperpatia ( exagerada resposta, dolorosa, a um estimulo relativamente inócuo); alodinia (estimulo não doloroso produzindo calor). (Galer BS. Paintiful plyneuropathy. In:backonja M-neuropathic Pain Syndromes. Neurologic Clinics, 1998; 16 (4): 791-811 )


As polineuropatias que se apresentam apenas com alterações sensitivas, comprometendo a sensibilidade térmica e dolorosa, são tidas como polineuropatias sensitivas de fibras finas. Aquelas nas quais estão presentes alterações do equilíbrio (especialmente quando o paciente caminha ou tenta levantar-se à noite, no escuro) e/ou da coordenação dos membros resultam do comprometimento de fibras grossas proprioceptivas. Estas compreendem as polineuropatias sensitivas de fibras grossas.

A polineuropatias diabética é inicialmente uma neuropatia de fibras finas e, ao longo do tempo, após comprometimento das fibras grossas, poderá o paciente apresentar desequilíbrio a marcha. (Dor Neuropática -FISIOPATOLOGIA, CLÍNICA E TERAPEUTICA; Ed. Evidence; Cap:8; Pág:159-170)

A eletroneuromiografia tem sido utilizada de muita valia para a qualificação e quantificação do comprometimento sensitivo dos pacientes com dor neuropática em geral. Cabe ressaltar, no entanto, que a utilização desses métodos não é imprescindível para o estudo das polineuropatias dolorosas.

Exames laboratoriais de sangue poderão auxiliar no diagnóstico das polineuropatias dolorosas, os principais testes são:

  • Hemograma e VHs;

  • Glicose de jejum, glicose pós prandial com 75 mg de dextrosol e HB glicosilada;

  • Uréia e creatinina;

  • Eletroforese de proteínas;

  • Dosagem de vitamina B12;

  • Testes de função tireoidiana ( incluir anti- tireoglobulina);

  • Anticorpos antinucleares;

  • Fator reumatoide;

  • Anti-HIV;

  • Anti – HYLV;

  • Anti- hepatite B e C;

  • Anticorpo anti-nuclear neuronal tipo 1(paraneoplasicos);

A polineuropatia diabética poderá manifestar-se com ou sem dor neuropática. Em determinados casos de polineuropatia diabética, a evolução clinica se faz com apresentação de dor neuropática intensa ao inicio (por exemplo, radiculoplexoneuropatia lombo-sacra diabética, polineuropatia da caquexia diabética), seguindo-se o desaparecimento da dor; em outros casos esses sintomas surgem apenas em fases avançadas do diabetes (polineuropatia sensitiva dolorosa diabética). (Nsscimento OJM. Neuropatia Diabetica: diagnostico e tratamento. In Diabetes |Mellitus: clinica, diagnostico e tratamento multidisplinar. Oliveira JEP e Milech A. Rio de janeiro, ED: Atheneu , 2204; 183-1997 )

A neuropatia diabética pode ser apresentar com diferentes tipos de neuropatias dolorosas. A modalidade mais comum é a polineuropatia sensitivo distal dolorosa que acarreta dores nas porções distais dos membros, notadamente dos inferiores, acompanhada de alterações autonômicas ( anidrose distal nas pernas, dermatite nos pés, hipotensão postural, diarreias noturnas etc). Alguns pacientes manifestam , de modo subagudo, dor intensa acompanhada de considerável perda ponderal, sem alterações motoras evidentes, conhecida como caquexia diabética. (Summer CJ, Sheth S, Griffin JW; The spectrum of neuropathy in diabets and impaired glucose tolrense. Neurology, 2003; 60:108-111 )










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